domingo, 22 de março de 2015

Este ano o Coelho não virá...

- Mãe, me conta como você fazia as pegadas de coelho?

Foi assim, com uma simples pergunta que as minhas orelhas pontudas e grandes sumiram.
Num piscar de olhos! E já estou sentindo um enorme vazio porque não serei mais coelha por um dia.

{Ainda tive que contar as múltiplas estratégias utilizadas para imitar as pegadas do bichano}

Renderam muitas risadas para minha filha imaginar como eu fazia e até agora isso me faz sorrir.
Mas ele não virá neste ano.
O Ovo já foi escolhido na prateleira.
A fantasia foi quebrada.
Os oito anos vividos com a surpresa de cada dia de Páscoa foram deliciosos e digo a cada mamãe novata:
- Deixe a coelha que existe dentro de você encantar os seus filhotes!

Feliz Páscoa!

Ladrão de tempo


























Hoje lembrei que tinha um blog... (loucura!!)
Essas coisas só acontecem quando a vida é tão cheia de compromissos que não nos permite parar para pensar nas coisas que temos.
E ao ler a proposta inicial (deste blog), me dei conta de que não a alcancei. Não escrevi.
E foi por isso que postei meu lamento sobre o "Ladrão de tempo", e por outras coisitas mais...
Ao falar desse Ladrão, uma amiga postou (no facebook) um comentário dizendo que eu corri atrás dele um dia. Claro que corri. Mas, inegavelmente, ele nos rouba muito tempo. O tempo roubado também é produtivo, prazeroso e importante, pois atinge propósitos firmados no dia daquele juramento.
No entanto, tem dias que você sente necessidade de não ter tanta responsabilidade nos ombros e você pensa na vida antes do Ladrão aparecer, e escapa um "ahhh..." de puro lamento.
É quando se esvai a força pra abrir o vidro de enlatado, pra lavar aquele monte de folhas verdes pra fazer salada (pra quê comer tanto verde? não sou uma vaca!!), pra estudar com o filho pra prova de matemática (e eu nunca fui nota dez em matemática), pra separar o lixo, pra passar os cremes receitados pela dermatologista, pra estar sempre com a agenda cerebral piscando todos os horários que você não pode perder... pra isso, pra aquilo...
Desafio a mulherada a dizer, sem vergonha nenhuma, que fica de saco cheio em muitos dias do ano! E isso é salutar!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Páscoa se foi faz tempo.

Na corrida da vida diária não consegui o que almejava... escrever nem que fosse uma linha da meia-noite às seis da manhã. Talvez porque nesse horário não tenho mais energia... ela se escondeu em algum lugar.

Mãe precisa recarregar a bateria, ao contrário do que os filhos pensam.

Fico pensando como minha mãe fazia para cuidar de 11 filhos (isso mesmo!), e ela nem tinha máquina de lavar louça. A realidade hoje é outra. Muita informação, muito estímulo, muito diálogo, muitos tipos de brinquedos, muitas opções de lazer, muitas coisas que as crianças têm... Mas a verdade é que pra gente dar conta desse muito, nos resta pouco ou nada de tempo pra fazermos as nossas coisas, coisas que mães precisam fazer no papel de mulher.

Depois que filho nasce, o compromisso é eterno. Às vezes me pego a pensar que o tempo não é mais da gente. É uma espécie de parênteses que se dá na vida só pra cuidar desses rebentos. E se não dermos essa pausa, vai faltar algo na formação desses seres. Esse é o nosso papel na vida depois que somos mães. Ser o suporte, o porto seguro, o guia... Essa grandeza da responsabilidade que nos cabe, assusta. Eles esperam tanto, exigem tanto, precisam de tanto e um dia eles crescem e vão embora. Isso é triste? Não. Isso é a vida como ela é.

Gosto das palavras de GIBRAN KAHLIL GIBRAN em que ele fala dos filhos:

 Os Filhos
(Do Livro "O Profeta")

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."

E ele falou:

Vossos filhos não são vossos filhos.

São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.

Vêm através de vós, mas não de vós.

E embora vivam convosco, não vos pertencem.

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,

Porque eles têm seus próprios pensamentos.

Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;

Pois suas almas moram na mansão do amanhã,

Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.

Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,

Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.

O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força

Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.

Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:

Pois assim como ele ama a flecha que voa,

Ama também o arco que permanece estável.


Que todas as mães possam ser o arco forte e que suas flechas encontrem um pouso seguro.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Páscoa

Lembro a Páscoa de minha infância. Era um encanto!
Com bem menos doces e possibilidades, mas mesmo assim era esperada com a mesma ansiedade que hoje reconheço em minha filha de 4 anos.
A espera do coelho, a contagem dos dias marcados no calendário, a magia do acontecimento...
Por onde será que ele entra? Ele precisa comer cenouras! - diz ela entusiasmada.
Assim, ele será esperado, com muitas rodelas de cenouras escondidas pela casa, que com toda certeza serão comidas em troca de um gostoso chocolate.
Preparar todo esse cenário é uma tarefa cansativa e ao mesmo tempo agradável,
recompensada pelos sorrisos e gestos de alegria na busca
pelas guloseimas escondidadas pela casa ao amanhecer o dia de Páscoa.
Ser criança é tudo de bom!
E ser coelha por um dia é uma das Coisas de mãe!

É Páscoa!
Podemos comer chocolates...
Podemos dar e receber guloseimas...
Podemos fugir da dieta por um dia ou por uma semana...
um mês... dependendo do estoque de chocolate...
Mas não devemos nos esquecer que Páscoa é renovação!
Vamos renovar nosso compromisso com a vida!
Qual a verdadeira razão de estarmos aqui?
O que temos feito de bom? De importante?
De significativo?
E o que representam nossas ações para nossos filhos e para o futuro?

Feliz Páscoa!